segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Sonho do Boi Bozó, o Búfalo do Marajó

As crias do Projeto de Iniciação Artística da Fundação Curro Velho vão encenar nos dias 26 e 27 de junho, a partir das 18h30min, o espetáculo “O Sonho do Boi Bozó, o Búfalo do Marajó”, uma divertida e diferente história sobre boi-bumbá, desta vez, contada na versão do próprio boi.

A trama reúne três bois hilários que, enquanto viajam nos “ombros” de um caminhão, resolvem contar suas aventuras até chegarem ao destino final – a participação no Arraial de Todos os Santos, da Fundação Curro Velho.

Do imaginário até chegarem ao Norte esses personagens põem de “cabeça para baixo” uma das maiores tradições juninas, o boi-bumbá. Boi Bozó, marajoara, não quer ser mais denominado como “Boi do Marajó”, pois se reconhece como um legítimo búfalo; o Boi Malhado, maranhense muito zen, vem trazendo todo o seu sotaque de Reggae à grande festa; o mineiro Boi Mimoso, sujeito metido a esperto, vem reclamando de tudo, mas não passa de um grande molenga. A história conta ainda com a participação de uma figura muito encrenqueira na vida dos três, a garça branca, a grande novidade na comédia de boi-bumbá. Um prato cheio para imaginação do público!

O projeto conta com um grupo de mais de 200 crianças, em grande parte da Vila Barca, próxima à Fundação. Eles são acompanhados pelo trabalho dos arte-educadores: Jorge Cunha (Gerente do Projeto de Iniciação Artística), José Maria Bezerra (Diretor Musical e Roteirista), Aninha Moraes e Baeti (Direção Coreográfica), Adriana Cruz e Joelma Telles (Direção Teatral). O espetáculo é resultado do projeto que teve três meses de atividades, tendo ainda o apoio de psicólogos e psicopedagogos. Uma louvável iniciativa do Curro Velho, pois chega à comunidade através da arte, a partir da garotada de 4 anos, contribuindo para o melhoramento do bem-estar social.

Agora é ver de perto como essa grande aventura vai terminar. Os três bois malucos estão chegando para festa! O palco agora só espera a participação e a curiosidade de vocês!

Divulgação feita por Allan Carvalho através de email.

Mais detalhes: 8852-4170 / 3184-9100 (Jorge Cunha)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Autopsicografia - Fernando Pessoa


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Carimbó mobiliza grupos e mestres em Santa Bárbara


Encontro da Campanha ¨Carimbó, Patrimônio Cultural Brasileiro¨ reunirá carimbozeiros de vários municípios paraenses que lutam pela valorização do gênero

O Carimbó é a música tradicional paraense por excelência. Junção caprichosa do pé batido indígena com o rebolado africano, preservado nas comunidades pela oralidade dos mestres populares, em sua maioria pescadores e lavradores, o Carimbó é um gênero que sintetiza a capacidade criativa, a força e a beleza do povo da Amazônia. Afirmamos mesmo que o Carimbó é parte essencial da alma paraense e amazônida, um componente fundamental da identidade cultural brasileira.

Santa Bárbara, na região metropolitana de Belém, próxima de Mosqueiro, é um dos locais onde a tradição do Carimbó vem se manifestando e fortalecendo de forma crescente, mostrando a força e vitalidade desse gênero entre a comunidade local. Município com muitas manifestações culturais populares, como Cordões de Boi e Pássaros, a cidade se prepara para realizar o seu 1º Encontro de Articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”, a ocorrer no dia 21 de junho de 2008 (sábado), das 08 às 14 h, no Centro Comunitário de Santa Bárbara, localizado na Rua Raimundo da Vera Cruz, ao lado da Igreja Matriz.

O Encontro pretende reunir os diversos grupos de Carimbó de Santa Bárbara e região, seus mestres, músicos e dançarinos, as entidades culturais e as instituições públicas de cultura locais, para conhecer mais sobre o processo de registro do carimbó, além de discutir propostas de organização da Comissão Local da Campanha, buscando estruturar e planejar suas atividades no município. O evento terá também a participação do IPHAN e do DPHAC/SECULT, que irão esclarecer a comunidade sobre o andamento desse registro na região.

O evento será uma oportunidade para conhecer o trabalho de grupos como o “Unidos do Paraíso”, conjunto formado em 1998 por mestres locais como Seu Cazuza e seu Wilson, dois irmãos que demonstram uma profunda paixão pela cultura popular e que estão à frente da organização da campanha nesse município. Além disso, o encontro será um espaço de integração e intercâmbio entre músicos, mestres e produtores de carimbó dos vários municípios onde a campanha está também sendo organizada. Já estão confirmados representantes de Curuçá, Marapanim, Maracanã, Santarém Novo, Terra Alta, Salinas, Belém, entre outros.

A Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro” é uma iniciativa que busca sensibilizar e mobilizar a sociedade em torno da valorização e do reconhecimento do Carimbó como patrimônio imaterial da cultura brasileira, sendo uma continuidade do processo organizado a partir das discussões promovidas no Festival de Carimbó de Santarém Novo desde 2005. Organizada por entidades e grupos culturais de vários municípios, esta Campanha faz parte do processo iniciado em 2008 junto ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – para registrar o Carimbó Paraense como Patrimônio Cultural do Brasil, tendo o apoio do Governo do Estado através da SECULT e FUNTELPA.

Como parte fundamental do processo de registro, estamos promovendo encontros de articulação da Campanha em vários municípios onde o Carimbó é uma referência cultural profunda, locais que farão parte do inventário a ser realizado pelo IPHAN e pelo DPHAC/SECULT (Diretoria de Patrimônio) a partir deste ano.

A coordenação local do evento é do grupo “Unidos do Paraíso”, em parceria com o Centro Comunitário de Sta. Bárbara, tendo o apoio do IPHAN, SECULT, Fundação Curro Velho e FUNTELPA.
Serviço:
1º Encontro de Articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro” em Santa Bárbara
Dia 21 de junho de 2008 (sábado), das 08 às 14 h, no Centro Comunitário de Santa Bárbara, na Rua Raimundo da Vera Cruz, nº 449, Centro, ao lado da Igreja Matriz , Santa Bárbara/PA.

Contatos da Coordenação da Campanha:
(91) 9995-4422 (Isaac Loureiro)
(91) 8167-8783 (Flávio Miranda)
(91) 8134-3426 (Esperança Alves)
(91) 8112-8205 (Railson Silva)
(91) 9605-9057 (Ronaldo Silva)

Contatos da Coordenação Local:
(91) 9627-1270 (Gabriel)

E-mail:
carimbopatrimonioculturalBR@gmail.com
Visite nosso Blog:
www.campanhacarimbo.blogspot.com
Divulgação feita por Isaac Loureiro através de email.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Siba e a Fuloresta - Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar.



O cantor, compositor e rabequista Siba Veloso, ex-líder da banda Mestre Ambrósio --um dos ícones do movimento manguebeat nos anos 90, vive fidedignamente a cultura popular que se propôs a tocar. Diferentemente dos colegas mangueboys, deixou de lado todas as facilidades das metrópoles onde já morou (Recife e São Paulo), para se instalar em Nazaré da Mata junto à banda que ajudou a fundar, "A Fuloresta". Leia-se o mais importante pólo de maracatu rural, em plena zona da mata pernambucana.
É isso o que torna sua obra tão original quanto poética até o último acorde. Ele traduz nas letras preciosas versos inteligentes e sensíveis de sabedoria popular. Situações comuns do cotidiano nordestino, como a fome, o abandono de crianças, a injustiça social e até a descida para a terceira divisão de um time de futebol estão presentes. O belíssimo encarte todo produzido pela dupla de grafiteiros "osgemeos" ainda traz um luxuoso apelo visual ao CD.
Na mistura de ciranda, coco de roda, maracatu de baque solto, samba e frevo, há participações da cantora Céu, em "Cantar Ciranda"; do guitarrista Lucio Maia (Nação Zumbi), numa das canções mais belas do álbum, "Alados" (também presente no recente disco "Homem Binário", do projeto solo "Maquinado", de Maia); de outro guitarrista renomado, Fernando Catatau (Cidadão Instigado), em "Meu Time"; da tocante voz de Isaah, ex-integrante do Comadre Fulorzinha (em "A Velha da Capa Preta"). Merece destaque também o coco animado de mesmo nome do álbum composto por Siba.
Um dos grandes patrimônios culturais vivos de Pernambuco e do Brasil, o mestre de cavalo-marinho Biu Roque, que também acompanha Siba nos shows, discos e por turnês na Europa, onde fazem grande sucesso (até mais do que no resto do país), tem participação solo em "A Folha Da Bananeira".
Graças ao trabalho do cantor, até hoje muito da música produzida pela cultura popular em Pernambuco pode ser reinventada e conservada com dignidade. O Estado sofre uma carência de novos compositores de frevo há anos, por exemplo. Siba revisita o ritmo ainda em marchinhas, como "Bloco da Bicharada", "Meu Time" e "A Velha da Capa Preta".
Depois do aclamado primeiro CD "Siba a Fuloresta" (2002), os muitos instrumentos de sopro, percussão e rimas de improviso de "Toda Vez Que eu Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar" deram continuidade à genuína produção de ritmos rurais, belos e dançantes do Nordeste. E que não morram jamais. (GABRIELA BELÉM)
Créditos: Som Barato

Móveis Coloniais de Acaju


Um dia de sol recebi um telefonema estranho:

- Por favor aqui é do Moveis Coloniais de Acaju
- Desculpa, eu já tenho móveis, eu respondi.
- Não! Aqui é uma banda de Brasília…
- Sério? Então já gostei do som; com esse nome o som deve ser bom .
Pronto!
Conheci os caras. Quero produzir. (…) Até que a vida me levou para o México fazer trilha de cinema (…). Que pena.
Pena nada! Os caras fizeram um puta CD…Daí sobrou de eu escrever.
Vamos lá:
Essa banda é uma mistura de Kusturica com Hermeto, um pouco de Cuba com macarrão. Um pouco de Paulista sendo de Brasília, um pouco de Brasília sendo do Brasil, um pouco do mundo sendo da Terra e, por que não, um pouco de Karnak com Los Hermanos. Um pouco de Pato Fu com amendoim. Um pouco de móveis com cabelo, um pouco de sorte com pensamento, um pouco de dor com amor, um pouco de Solidão com quarto e sala com fiador. Gorbachev com Copacabana. Samba de russo, pagode de cego com Tom Waits. Se fosse Teatro seria Tadeus Kantor, se fosse Foto seria do Rodchenko, se fosse esquilo não sambaria.
O melhor é que eles não são nada disso.
Eles apenas são uma grande banda com um grande som!
Vida longa!
[Por: André Abujamra, 01/06/2005]
Créditos: Som Barato
Foto: Itaú Cultural 2008.