quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Vós que estais sem Som Barato!!!!

Neste mês de setembro de 2008 foi fechado o blog Som Barato que disponibilizava músicas para download gratuitamente. Responsável por um dos maiores e mais respeitados trabalhos de resgate, divulgação e preservação da música brasileira. Oportunidade para pesar nossas manifestações culturais em face de poderes absolutos de particulares. Não é acabar com gravadoras. Mas e quanto a acabar com trabalhos como o do Som Barato? Uma atitude unilateral, arbitrária, autoritária e INCONSTITUCIONAL! Ninguém do blog foi ouvido! Uma atitude dessas está longe de compreender a real conjuntura em que está a distribuição gratuita de música pela internet. De onde vem esse poder? Eu digo que como hoje é posto em debate, deixou de ser inquestionável. Mais de 2.000 discos disponíveis! Mais de 1 milhão de downloads! Visitado por pesquisadores, músicos (uns que até proíbem suas músicas na internet!!!), estudiosos, saudosistas desamparados, professores, donas de casa, policias, malabaristas, donos de gravadoras em busca de idéias, padres, padeiros, putas, ciclistas, bichas, punks, pobres, milionários, seres mutantes até grandes moluscos vermelhos! Quando a máscara vai cair? A maioria do material publicado no Som Barato nem tinha distribuição! Muita coisa nem existia em cd! E as entrevistas, textos, biografias, críticas, comentários, informaçõs e opiniões lá postadas? Também são "ilegais"? Ponto de divulgação de festas e de shows de ótimos artistas muitas vezes nem citados na grande mídia. Isso também é proibido? O blog transformou-se numa referência para encontros de fãs de música e de colecionadores de vinis. TUDO FOI SUSPENSO! TUDO ISSO É CRIME? Centenas de artistas aplaudem e tem suas carreiras renascidas graças a trabalhos como esse. Outros músicos iniciantes (muitos de soberbo talento $EM E$PAÇO NA INDÚ$TRIA FONOGRÁFICA) passaram a ter uma via direta e honesta para mostrar seus trabalhos. Então eu pergunto: Por que todos tem de pagar se uma Biscoito Fino da vida não quer "seus discos" lá? Ao povo brasileiro (e de todo o mundo) mais uma vez ficam os valores, muito além dos mensuráveis em dólar, nos cofres dos "proprietários da arte". Lembro-me de casos como a Discos Marcus Pereira com suas centenas de discos sob guarda da EMI. O maior projeto fonográfico brasileiro quase não conhecido de seu povo. Quem tem as chaves desses porões? Muitos desses discos estavam postados no Som Barato. Prá você leitor o que é mais importante? Vale lembrar que moramos num país sem memória cultural! De quem é a culpa? Antes de apontar o dedo ou (ainda pior) proibir, vetar e executar por conta própria, vamos discutir. TODOS NÓS! TODO O POVO BRASILEIRO. Nossa arte maior está apodrecendo nas gavetas de mercenários protegidos por leis caducas. Todos podem ganhar. Novas alternativas tornam-se imprescindíveis. Quem deve se submeter? Um tempo retrógrado que insiste em negar o presente defendendo interesses próprios (e de músicos que não querem largar o osso) ou o agora que pode sim trazer empregos, desenvolvimento econômico (não é essa a desculpa "deles" quando na verdade sonham em ser milionários?) e acima de tudo liberdade e acesso irrestrito a cultura? Este sim, um bem irrenunciável e indisponível de qualquer povo que valoriza e defenda sua identidade como patrimônio essencial de sua dignidade.
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Para concluir leia esse artigo intitulado "Tabu Pirata" publicado na revista eletrônica Consultor Jurídico sobre a questão da pirataria no Brasil, o que diz as leis e o império da desinformação disseminado pela indústria. LEIA!!!!!
Aqui vai um link que andou rodando pela net com alguns links do Som Barato. Não todos, mas muitos.
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Um pouco mais sobre o fechamento do Som Barato e seus desdobramentoes, acesse:
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Texto de Ennião publicado originalmente em:
http://nopaudagoiaba.blogspot.com/

domingo, 14 de setembro de 2008

Rede Globo

A Rede Globo foi inaugurada em 1965, sob o regime militar e constitui um "modelo audiovisual" que penetra em qualquer segmento do mercado ficcional. Mercado este que a Globo detém a hegemonia há longos anos... Seu sinal eletrônico, em 1998, cobria cerca de 99% dos então 5.043 municípios brasileiros. Neste ano, a rede tinha nada mais do que 107 emissoras que detinham 64% da audiência nacional. De toda a verba advinda da publicidade, cerca de 75% (!) era absorvida pela Rede Globo. Em 2000, a arrecadação chegaria a US$ 3 bilhões.
Diz um trecho extraído de uma edição da revista época de 2003: "Com esse poder, a Globo poderia criar e derrubar presidentes, privilegiar ou ignorar coberturas jornalísticas. Foi justamente contra este poder que a população saiu às ruas, em 1984, para protestar". Palavras de ordem da campanha: "O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!". Tais palavras faziam referência, principalmente, à demora com que a Globo iniciou sua cobertura sobre o movimento das Diretas Já!, que já vinha sendo vinculado há algum tempo pelas outras emissoras. Enquanto a população vivia um intenso clima de abertura política, a Rede pregava um processo lento e gradual.
As controvérsias que a Globo carrega consigo vêm desde a sua criação, onde, ainda na gênese teve um acordo obscuro afirmado com o conglomerado empresarial norte-americano Time-Life, em um período em que a Constituição Brasileira vetava a participação do capital estrangeiro nos meios de comunicação nacionais. Tal acordo gerou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que optou pela condenação da empresa. O governo militar, em ato arbitrário, contrariou a decisão da Câmara dos Deputados e desconheceu este resultado, oficializando a TV Globo.
Àqueles que se atrevem a relembrar o episódio da criação da TV, restam as sombras... Hoje, dado o gigantismo das organizações Globo, não mais se vêm ações como a que a câmara moveu contra a Rede nos anos de 1960. Em resumo ao império, Roberto Marinho admitiu publicamente em 1987: "Sim, eu sou o poder!" Esta singela frase resume este dispositivo comunicacional capaz de interferir inevitavelmente na agenda dos demais e representa, hoje, a maior produtora de sentidos e bens simbólicos do país. Ou seja, é uma máquina de fazer cabeças. Cuidado com a sua.

sábado, 6 de setembro de 2008

DEAD FISH em Belém

Dia 07 de setembro de 2008.

O mês de Setembro chega à Cidade das Mangueiras. O Brasil se prepara para mais uma comemoração da independência. As escolas, os militares e os cidadãos se organizam. Os tambores, os pratos e trompetes começam a fazer barulho nesta cidade para a celebração do Sete de Setembro. No entanto, em algum casarão sujo da Cidade Velha, a Abunai Produções, fazendo jus a essência punk de seu criador, ignora tudo isso e resolve fazer o seu barulho. O barulho do Hardcore Capixaba da mais bem sucedida banda de Punk/Hardcore nacional: Dead Fish. Pela segunda vez em Belém, eles trazem na bagagem, 17 anos de estrada, oito CDs (sendo seis na fase independente), um DVD, prêmios nas mídias especializadas e muitos fãs. Depois de sair da fase independente e ficarem reconhecidos nacionalmente com dois CDs e um DVD lançados pela gravadora Deckdisk, o Dead Fish assume uma nova formação com a saída do guitarrista Hóspede (Aditive). Agora, eles parecem voltar as suas raízes old school/independente, que irá trazer, sem dúvida, um sentimento nostálgico para os fãs, principalmente, os mais velhos, que acompanham o DF desde o primeiro Cd "Sirva-se". Depois de três anos, eles reaparecem por estas bandas nesta solene data de 7 de Setembro, quando todos aguardam o desfile militar com as bandeirinhas do Pará e do Brasil e se dizem "patriotas desta terra amada", eles retornam para dizer que as coisas não se resolvem dessa forma, e com a mesma essência que fez o Dead Fish sobreviver por todos estes anos.A abertura fica por conta dos Rennegados, com o seu Hardcore agressivo e crítico, e MB-4, direto da Floresta Amazônica, e um Hardcore melódico moderno. Para agradar a todos. E para você que está pensado: "Agradar a todos? Até pareci que eu, um rapaz moderno e descolado, vou entrar nessas rodas. Nem gosto desse som e nunca ouvir falar dessas bandas." A festa é para agradar a todos mesmo. Esqueça rótulos e preconceitos. Todos serão iguais e tratados da melhor maneira, injetando nas suas mentes aquilo que você mais adora: música. De qualidade. Nas pickp ups: Se Rasgum, Coletivo Pogobol, Meachuta!, Faca (Bulhufas) e Diego Lima. Pela primeira vez, os DJs que agitam as noites dos jovens-belenenses-insanos-em-busca-de-diversão, excluídos das festas de aparelhagens de Belém Brega City, estarão discotecando em um único lugar. Sem concorrência. Para você, que tem aversão a roda punk, ficar dançando e, quem sabe, depois de alguns drinks, meter a cara nela e adquirir uma nova experiência para o seu currículo. Os tambores militares e escolares estão rufando para o Dead Fish. Nesse 7 de Setembro, esqueça o falso patriotismo de "Independência ou morte!", e, ao invés disso, divirta-se e grite: "Ei, Dead Fish! Vai tomar no cu!". E assim, expresse a sua vontade reprimida, de amor ou ódio por essa banda. E seja bem sucedido, certo?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lançamento do Programa Nacional de Bolsas FUNARTE em Belém


A Representação Regional Norte do Ministério da Cultura e a FUNARTE convidam os interessados, para o lançamento em Belém, do Programa Nacional de Bolsas que contemplam a Criação Artística e a Produção Crítica em Artes.

O evento acontecerá no dia 04 de setembro, das 09h00 às 12h00, na Estação Gasômetro - Parque da Residência e contará com a presença de Marcos Teixeira Campos (Coordenação de Circo - CEACEN / FUNARTE) e Zezo Oliveira (Diretor da Escola Nacional de Circo) representando a FUNARTE.

A programação é aberta ao público. Solicita-se aos interessados confirmarem a participação através do e-mail: regionalnorteminc@hotmail.com ou do telefone 3224-1825 (falar com Delson Cruz, Alberdan Batista ou Michelle Pinheiro). O Programa Nacional de Bolsas abrange as seguintes áreas:

Estímulo à Criação Artística
. Artes Visuais
. Criação literária
. Dança (coreografia)
. Dramaturgia
. Fotografia
. Música (composição erudita)
. Música (composição popular)

Estímulo à Produção Crítica em Artes
. Artes Visuais
. Dança
. Música
. Teatro
. Interfaces dos conteúdos artísticos e culturas populares
. Conteúdos artísticos em mídias digitais / Internet.