domingo, 14 de setembro de 2008

Rede Globo

A Rede Globo foi inaugurada em 1965, sob o regime militar e constitui um "modelo audiovisual" que penetra em qualquer segmento do mercado ficcional. Mercado este que a Globo detém a hegemonia há longos anos... Seu sinal eletrônico, em 1998, cobria cerca de 99% dos então 5.043 municípios brasileiros. Neste ano, a rede tinha nada mais do que 107 emissoras que detinham 64% da audiência nacional. De toda a verba advinda da publicidade, cerca de 75% (!) era absorvida pela Rede Globo. Em 2000, a arrecadação chegaria a US$ 3 bilhões.
Diz um trecho extraído de uma edição da revista época de 2003: "Com esse poder, a Globo poderia criar e derrubar presidentes, privilegiar ou ignorar coberturas jornalísticas. Foi justamente contra este poder que a população saiu às ruas, em 1984, para protestar". Palavras de ordem da campanha: "O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!". Tais palavras faziam referência, principalmente, à demora com que a Globo iniciou sua cobertura sobre o movimento das Diretas Já!, que já vinha sendo vinculado há algum tempo pelas outras emissoras. Enquanto a população vivia um intenso clima de abertura política, a Rede pregava um processo lento e gradual.
As controvérsias que a Globo carrega consigo vêm desde a sua criação, onde, ainda na gênese teve um acordo obscuro afirmado com o conglomerado empresarial norte-americano Time-Life, em um período em que a Constituição Brasileira vetava a participação do capital estrangeiro nos meios de comunicação nacionais. Tal acordo gerou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que optou pela condenação da empresa. O governo militar, em ato arbitrário, contrariou a decisão da Câmara dos Deputados e desconheceu este resultado, oficializando a TV Globo.
Àqueles que se atrevem a relembrar o episódio da criação da TV, restam as sombras... Hoje, dado o gigantismo das organizações Globo, não mais se vêm ações como a que a câmara moveu contra a Rede nos anos de 1960. Em resumo ao império, Roberto Marinho admitiu publicamente em 1987: "Sim, eu sou o poder!" Esta singela frase resume este dispositivo comunicacional capaz de interferir inevitavelmente na agenda dos demais e representa, hoje, a maior produtora de sentidos e bens simbólicos do país. Ou seja, é uma máquina de fazer cabeças. Cuidado com a sua.

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